2022 à vista: o vinho argentino em números (positivos)

Panorama vitivinícola argentino

Falta muito pouco para 2021 terminar e chega a hora de fazer o balanço do ano. A indústria não foge ao assunto e também se dedica a revisar o estado do panorama vitivinícola argentino. Com base na inovação, hoje a Argentina oferece uma proposta inclusiva em matéria de gênero, sustentável quanto ao gerenciamento do meio-ambiente, diversa tanto no que diz respeito aos atores como na escala dos jogadores e em sintonia com as tendências do futuro, segundo os principais trendwatchers do mundo.

Mas se essas variáveis são qualitativas, em matéria de números brutos os dados também permitem brindar com orgulho. Basta revisar algumas das principais conquistas obtidas pelo vinho argentino para celebrar o presente com expectativas positivas para o futuro. Compartilhamos este panorama vitivinícola argentino, com alguns dos índices mais relevantes para esperar o próximo ano com um entusiasmado brinde.

Panorama vitivinícola argentino

Panorama vitivinícola argentino

Poucos sabem, mas o país se encontra no Top Five, atrás apenas da Itália, da Espanha, da França e dos Estados Unidos. Com 215 mil hectares de vinhedos plantados, a Argentina fabrica vinho em 14 das suas 23 províncias e é o 5.º país produtor mundial de vinhos.

Há apenas algumas semanas, o distrito restante, a Cidade Autônoma de Buenos Aires, declarou o bairro de Devoto como o quilômetro zero das rotas do vinho na Argentina: lá, ao redor da estação de trem San Martín, se engarrafavam e despachavam os vinhos das principais vinícolas até a década de 1980. Não é pouca coisa.

Nascida de uma tradição imigrante, a indústria do vinho local tem a rara escala dos países produtores e consumidores. Por acaso é possível acontecer um evento social na Argentina em que o vinho não esteja na mesa? Um encontro familiar? Uma noite vendo séries? Uma reunião de negócios? Um jantar a dois? Uma festa entre amigos?

Panorama vitivinícola argentino

Da Argentina para o mundo

Apesar do alto consumo interno, a indústria argentina do vinho tem produção excedente para exportar. Em pouco mais de 30 anos, estabelecendo uma data de início em 1990, o mundo conheceu, bebeu e escolheu de diversas formas os vinhos del panorama vitivinícola argentino. 

Do total produzido, atualmente cerca de 10% se destina à exportação, negócio que em 2020 rendeu 791 milhões de dólares, número que será superado em 2021, já que em outubro deste ano estava 12,4% acima em faturação: 844 milhões de dólares.

Os principais destinos das exportações em 2021, seguindo a tendência dos últimos anos, são os Estados Unidos (247,9 milhões de dólares), seguido pelo Reino Unido (99,8) e o Brasil (95,7); na sequência aparecem Canadá (63,3), Países Baixos (29) e China (25,7).

Do total exportado em dólares durante o ano 2020, 23% corresponde ao Malbec, um tinto desenvolvido na Argentina como produto de exportação que logo também se transformou no favorito dos consumidores locais.

Parte dos resultados se deve ao trabalho de excelência das vinícolas, que se mantiveram firmes e não se deixaram abater, mesmo após uma década em que a exportação foi difícil devido ao tipo de câmbio. 

E outra parte, não menor, se deve ao trabalho realizado pela Wines of Argentina na promoção do vinho argentino nos mercados-chave: tanto no desenvolvimento de conteúdos específicos para cada um deles, com uma estratégia digital enfocada, como também realizando ativações no verão dos Estados Unidos e do Canadá.

Vinho argentino, um assunto federal 

Do total produzido na Argentina em 2020, Mendoza é responsável por 72%, seguido por San Juan com 22%, enquanto o restante é repartido de forma decrescente entre La Rioja (2,7%), Salta (1,6%), Catamarca (0,5%), Neuquén (0,5%) e Río Negro (0,2%). Também existem, é claro, províncias como Córdoba, La Pampa, Jujuy e Chubut com quantidades menores, completando o panorama das 14 produtoras.

Panorama vitivinícola argentino

Brancos, tintos e mais

Se se divide a quantidade de vinho produzido em 2020 no país pela população, surge um número mágico: esse ano se elaboraram 33 litros de vinho por pessoa. É claro que isso inclui a população menor de 18 anos.

Reordenando os dados, ou seja, excluindo o que se exporta, tirando os menores e o que permanece em estoque, o consumo medido em despachos lançou para o ano da pandemia cerca de 20 litros per capita. Este panorama vitivinícola argentino não está nada mal para um país que não abre mão de colocar sobre a mesa uma garrafa de vinho em cada ocasião especial.

Quantidade de vinícolas 

Na Argentina existem 1.247 bodegas registradas, segundo dados do Observatório Vitivinícola. No entanto, nem todas estão em atividade. Inclusive, na colheita de 2021, apenas 871 moeram uvas. Nos últimos dez anos, o pico de vinícolas em produção se deu em 2010, com 984, quando haviam 1.330 registradas.

Fonte de trabalho e riqueza 

Como o vinho é um produto de valor agregado, gera emprego direto e indireto. Fazendo uma comparação, 100 hectares cultivados de videiras dão emprego a 72 pessoas, enquanto a mesma superfície cultivada com soja emprega apenas 2 trabalhadores.

Assim, o vinho contrata de forma direta a cerca de 150 mil pessoas e é o sustento direto ou parcial de cerca de 400 mil. Agora, medido como gerador de riqueza, o vinho é o complexo agroalimentar exportador que mais valor agregado origina: um hectare cultivado com uva gera exportações em média de um total de U$S4.800.

Isto é quase o dobro do que um hectare de amendoim exporta, com valores de U$S2.683, e representa entre 5 e 6 vezes o que a soja exporta por hectare, U$S 857 (dados obtidos através do Observatório Vitivinícola Argentino).

Mais consumo

Comparando 2018 e 2020, o consumo de vinho aumentou 10%. Considerando só os primeiros seis meses do ano e incluindo 2021 na equação, o salto é de 21%. Projetado, o consumo per capita poderia terminar este ano em torno dos 22,5 litros, um crescimento que tem muito a ver com o preço — por trás do IPC em conjunto — e a qualidade da oferta.

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