Chegou a vez do vermute argentino: as vinícolas impulsionam o seu novo auge

Vermute Argentino

Na Argentina, o vermute é mais que una bebida. É uma experiência cultural que muitas famílias cultivam há muito tempo: primeiro na mesa familiar e, depois, como entusiastas e fãs. 

Sua longa tradição entre os costumes europeus foi incorporada ao DNA argentino através dos imigrantes que ajudaram a forjar a identidade do país. Inclusive, até os anos 30 do século XX, não era fabricado em escala local: as grandes marcas chegavam envasadas diretamente do velho continente. 

“De acordo com publicidades do início do século XX, o primeiro vermute que desembarcou em solo argentino foi o Cora, com presença no mercado desde 1838”, explica o bartender e historiador de coquetelaria, Ariel Lombán. 

“Entre os anos 20 e 30 se instalaram no país marcas como Cinzano, Martini, Branca e Bols” e completa: “além disso, naquela mesma época também surgiram marcas argentinas de vermute, como Padilla, Glauda e Henzi”. 

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Nesse contexto, foi a Cinzano que tomou a dianteira. Atualmente, a Argentina é o seu principal mercado no mundo (isso mesmo, superando inclusive a sua Itália natal) e em 1950, quando a população local não chegava aos 20 milhões de habitantes, a marca chegou a vender nada mais e nada menos que 40 milhões de litros em um só ano. 

O ritual, no entanto, se foi diluindo com o tempo e só a partir dos primeiros anos do século XXI que o vermute começou a viver seu renascimento na Argentina. O primeiro empurrão foi dado pelas e pelos bartenders que, diante la crise econômica que golpeou o país em 2001, encontraram um bom aliado nessa categoria para construir uma coquetelaria acessível e de qualidade. 

Vermute argentino: próprio, de qualidade, inovador

Nos últimos anos se destacam os vermutes da indústria nacional argentina de qualidade, produzidos por nomes renomados da coquetelaria e, também, como sócios de projetos ou como colaboradores, além de distintos profissionais da enologia de diversas vinícolas. Assim se quita uma dívida histórica neste país que é sinônimo de vinho, a matéria-prima base do vermute. 

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Hoje, o grande selo de personalidade do vermute argentino é a fortaleza deste cimento vínico a partir do qual se agregaram inovações. Alguns, por exemplo, tem como pilar distintas cepas de tintos, algo inédito na Europa: é o caso do vermute Rojo de La Fuerza, que é elaborado com Malbec; do Lunfa, que leva Pinot Noir em sua versão vermute rosado e do Único, que faz o próprio com Cabernet Franc. 

Por sua vez, o vermute Giovannoni, criado pelo bartender Tato Giovannoni, aposta nos benefícios da Bonarda. 

A aliança com as vinícolas e com os profissionais do vinho

Vários protagonistas do vinho argentino se somaram à nova onda do vermute. No caso de La Fuerza, o processo criativo é trabalhado em conjunto com Sebastián Zuccardi, enquanto Tato Giovannoni tem uma parceria com o enólogo Matías Michelini.

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Mas eles não são as e os únicos representantes do mundo do vinho a entrar no novo bonde do vermute argentino. 

A vinícola Durigutti Family Winemakers entrou recentemente no universo do vermute com uma aposta baseada nas cepas não-tradicionais. Assim, o seu vermute branco estilo italiano é elaborado com Pedro Ximénez, e o rosê, estilo francês, com Cordisco. Em ambos casos, as uvas provêm de Las Compuertas, Luján de Cuyo. 

Mais além das leves diferenças entre ambos, as ervas da maceração dos vermutes dos irmãos Durigutti são (entre outras) larrea, alpataco, tomilho, piquillín, aguaribay, absinto, alfarrobeiras, flores de acácia, carqueja e chañar. 

Sabine e Fraçois Lurton, fundadores da vinícola Piedra Negra, também produzem em Mendoza o vermute Léonce, batizado em homenagem a Léonce Récapet, destilador histórico que é ancestral familiar de François. 

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Com o Malbec de Los Chacayes, o vermute se fortifica com destilado de Pinot Gris e ganha sabor com uma seleção de 20 botânicos mendocinos (incluindo incayuyo, larrea e burro), muitos deles colhidos nos próprios jardins da Piedra Negra. 

Matías Riccitelli, outro enólogo reconhecido, também tem a sua versão de vermute argentino: apostou nos botânicos de altura da região mendocina de La Carrera para criar o seu vermute de Monte, branco e de estilo seco. Com a assessoria das botânicas François De Vleeschouwer e Melanie Roy, selecionou 30 ervas colhidas entre os 1.600 e os 2.000 metros acima do nível do mar.

Natureza dupla

Como toda obra herança de imigrantes, o vermute argentino é um produto em que as velhas tradições comungam com novas visões. Algo que está também presente na nova leva de vermutes que surgiu na Europa neste novo século. 

“O vermute Giovannoni homenageia a travessia que a família de Tato fez para sair de Luca, na Itália, e chegar a Buenos Aires. É um tributo à herança recebida, mas soma como característica importante o terroir. Neste caso, o Valle de Uco”, indica o marketing manager Willy Cicciari. 

vermute argentino

O caminho é similar para o vermute Alfonsina, projeto de Lara Persano, cuja família é proprietária da vinícola Finca Las Glicinas. O produto nasceu, segundo a sua criadora, para recuperar a tradição do aperitivo italiano, tendo seu bisavô como inspiração. 

“Ele fazia o seu próprio vinho, trouxe uma vinha de Piamonte quando emigrou e em sua casa sempre se tomava aperitivo”, lembra Lara. “Quisemos transmitir essa ideia ao público jovem e partimos dos vinhos de Altamira que produzimos. Temos três variedades: Speziato, com base de Cabernet Franc (de perfil herbáceo e seco): Floreale, à base de Malbec (mais doce e frutado) e Rosé (à base de rosado de Malbec, de caráter cítrico). Temos um legado e agora podemos colaborar com uma nova visão”. 

Martín Auzmendi, sócio de La Fuerza, acrescenta: “Acreditamos ser uma etapa que apenas está começando, ainda tem muito para ser investigado em vinhos, em ervas, em formas de elaboração, é muito excitante pensar que a Argentina está trabalhando em vermutes locais, e a partir daí, haja uma identidade e diferentes estilos”, finaliza. 

Quer saber mais sobre os vinhos argentinos? https://blog.winesofargentina.com/pt-pt/breaking-pt/os-melhores-restaurantes-de-vinicola-em-mendoza/

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