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Vinhos Bio: O que é e quando convém certificar a produção?

Breaking / Em destaque / Mercado / Notícias / Tendências / 9 November, 2020

De: Vinómanos

Entre os consumidores jovens de vinhos, mas não exclusivamente, manter um compromisso ativo com o cuidado do meio ambiente é uma tendência que se consolida cada vez mais. Por isso a diversidade da oferta para este segmento amplia seus horizontes, com um leque que vai das produções sem nenhuma intervenção às naturais, passando pelas biodinâmicas e as orgânicas.

Neste amplo mundo Bio, no entanto, uma pergunta é divisora de águas: é preciso estar certificado como produtor orgânico ou biodinâmico para ser um, ou é melhor operar com esses parâmetros e demonstrar na prática com a forma de trabalho, mais do que ter comprovantes que deem fé disso? 

Pode parecer uma dúvida trivial, mas aponta ao centro de uma questão crítica para os produtores: quem diz o que é e o que não é orgânico, biodinâmico ou natural e quando as convicções valem mais que as certificações. 

Questão difícil. E isso sem contar que a escala do fenômeno Bio muda constantemente. Mas vamos começar com o mais tangível.

Crescimento

Se olharmos os dados recompilados por Vinodinámicos, grupo de produtores orgânicos e biodinâmicos unidos para compartilhar experiências e divulgar as práticas bio, em 2019 a Argentina já contava com 4.870 hectares de vinhedos certificados como orgânicos (2,2% do total plantado com vides), das quais 432 também contam com selo biodinâmico. 

“Os números oficiais de hectares certificados talvez não façam justiça ao que percebemos no ambiente”, indica Mauricio Castro, responsável da certificadora Letis no país e membro fundador do Vinodinámicos. “Cada vez mais bodegas reconhecidas passam para o cultivo orgânico, o que dá mais visibilidade para o tema. Mas também é preciso considerar a quantidade de consultas que recebemos. É incrível ver todos os produtores que estão interessados na transição. Estimamos que nos próximos anos haverá um crescimento muito importante”.

Gabriel Bloise, enólogo da Chakana, uma das bodegas pioneiras em práticas biodinâmicas na Argentina, por sua vez, afirma que as certificações biodinâmicas não vão crescer no curto prazo, devido às exigências rígidas da norma, apesar de acreditar que isso acontecerá “consideravelmente” com as orgânicas.

E ele prevê: as bodegas que recorrem às práticas biodinâmicas na Argentina possivelmente dupliquem os números oficiais, ainda que entrar nesse esquema seja colocar à prova o que acham de si mesmas e, principalmente, ter que organizar e sistematizar uma forma de trabalho muito além das suas próprias declarações. Isso sem contar os custos que implica manter uma certificação.

“Para nós há duas situações diferentes: uma coisa é o pequeno produtor à moda europeia, que é visitado pela cadeia de distribuição que vê de forma direta o trabalho orgânico ou bio, e por isso não precisa certificar; e outra muito diferente é o trabalho com uma escala necessária para ter uma bodega que coloca seus produtos em todo o mundo”, explica Bloise.

Enquanto esses últimos elaboradores podem aspirar maiores segmentos de mercado e, portanto, precisam de ferramentas mais adequadas, os primeiros passam de mão em mão e de boca em boca.

Volumes

Paz Levinson, sommelière argentina e Diretora de Vinhos do Grupo PIC na França, pensa em sintonia com Bloise. “Não é preciso ter a certificação, mas sim que o produtor tenha um cuidado, uma reflexão sobre o assunto, principalmente se o vinho tem um preço elevado ou fala de terroir”, diz.

Como Levinson, muitos outros especialistas indicam suas cartas de alta categoria nesta direção. A sommelière Juliana Carrique, que dirige o grupo NOMA, na Dinamarca, sentencia: “Para estar na nossa carta, os vinhos têm que ser naturais. Buscamos produtores que estejam conectados com a terra. Os clientes exigem”, afirma.

“Para os produtores de certa escala, a comunicação que chega à última parte da cadeia, na boca de vendedores ou varejistas, nem sempre está alinhada com o que acontece na bodega. Muito pelo contrário”, continua Bloise. “É para isso que serve uma certificadora, que te leva a se organizar e que o outro saiba o que você faz”, conclui.

Mas nem todos pensam assim. Na Bodega Kaiken, o enfoque para sua plantação biodinâmica em Vistalba é outro: “Há 9 anos que estamos fazendo isso por uma questão filosófica e continuamos aprendendo e aproveitando muito, apesar de preferirmos não buscar a certificação. Não queremos que se converta em uma coisa comercial”, diz Rogelio Rabino, enólogo da bodega. Ele diz também que escolhem validar outros tipos de normas que são requeridas para entrar nos mercados mais exigentes, principalmente os nórdicos. “Se nos certificássemos como biodinámicos, não nos afetaria no plano comercial”, sentencia.

Assim, o debate acerca de certificar ou não é um grande capítulo no mundo bio em todos os países. Na França, por exemplo, onde levam a dianteira neste assunto, já existem grupos, com comitês internos, que outorgam a possibilidade de utilizar um selo de Vins Naturel aos que demonstram que cumprem com convicção os processos, apesar de não se tratar de uma certificação propriamente dita.

“Há caminhos alternativos”, ressalta Bloise. “O que eu acho mais interessante são as certificações colaborativas, com as quais um grupo de produtores chega a um acordo acerca de como trabalhar e se autorregula”, explica o enólogo. 

Mas o que significa certificar?

A viticultura ecológica, biológica ou orgânica é o sistema de produção que, mediante a administração racional dos recursos naturais e sem a utilização de produtos de síntese química, produz uvas saudáveis e de qualidade, mantendo ou aumentando a fertilidade do solo e a diversidade biológica. 

Para todos estes estabelecimentos não são permitidos os organismos modificados geneticamente e seus derivados. Considerar estas práticas, observar os processos corretos e definir os protocolos para seu cumprimento é o trabalho de certificadoras como Letis, OIA, Food Safety e Argencert, as quatro empresas privadas encarregadas de atribuir os selos que validam estes processos na Argentina, de acordo com padrões globais.

No caso de um produtor que trabalhe em harmonia com o meio, a certificação faria mais que dar-lhe a razão, seja por pregar o biodinâmico, orgânico ou natural, independentemente das diferenças entre eles. No entanto, o valor percebido radica mais na confiança no produtor que no valor da certificação.

O cenário na Argentina

No final de 2019 existiam 12 fazendas e 8 produtores com selo Biodinâmico Demeter na Argentina: Chakana, Luna Austral, Alpamanta, Krontiras, Wine is Art (grupo que engloba projetos de Ernesto Catena), Escorihuela Gascón, Finca Dinamia e Súper Uco. Por sua vez, um produtor de renome internacional como Cheval des Andes, joint venture entre Chateau Cheval Blanc e Terrazas de los Andes, está em processo de certificação.

Em termos de bodegas certificadas orgânicas, há cerca de 60 entre as registradas por Letis, OIA e Argencert: Argento, Altos Las Hormigas, Bodega Piedra Negra, Bodegas Nanni, Humberto Canale, Casa de Uco, Domaine Bousquet, Bodega Chacra, MASI Tupungato, Vinecol, Lagarde, Bodega Noemía e Familia Cechin são só algumas delas. 

Mas, assim como os produtores afirmam, o movimento é ainda maior. Basta observar, como prova, o crescimento das etiquetas que vão nesta sintonia (para além das certificações), produtores que cultivam uvas e elaboram seus vinhos com respeito ao meio ambiente e com baixa intervenção, como Passionnate Wines, Pielihueso, Canopus e Escala Humana, em Mendoza. 

Seja por uma necessidade comercial de entrar em certos países, ou por uma convicção profunda, o certo é que cada vez mais bodegas se juntam ao movimento e a oferta cresce não só em quantidade, mas em interesse.

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Vinómanos
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