As 12 variedades de uva-branca mais plantadas na Argentina

uvas-brancas mais plantadas na Argentina

Todo mundo sabe que a Chardonnay é uma variedade branca que se cultiva na Argentina e em outros cantos do planeta. Mas o que nem todo mundo sabe é que não é a mais importante em termos numéricos no país. Na verdade, é a terceira em superfície, com 5.863 hectares de um total de 35.845 de uvas-brancas plantadas no país, segundo dados de janeiro de 2021. Então, quais são as duas primeiras e as seguintes até completar as 12 líderes? Quais são as uvas-brancas mais plantadas na Argentina? 

uvas-brancas mais plantadas na Argentina

Uvas-brancas mais plantadas na Argentina

  1. PEDRO GIMÉNEZ, 9587 ha, 27% da superfície.

Não confundir com a Pedro Ximénez – dado curioso, o sobrenome se escreve em espanhol como Jiménez, Giménez e Ximénez, todos homofônicos– que é a variedade de Marco de Jerez. A Pedro Giménez local é uma uva criolla (mestiça),  nascida do cruzamento natural da Listán Prieto e da Moscatel de Alexandria. Produtiva e de caráter praticamente neutro, é uma variedade plantada quase em sua totalidade nas zonas quentes de Mendoza (76,3%) e San Juan (22,5%), com destinos múltiplos que vão de vinhos comuns a mosto concentrado. Nos últimos anos, algumas vinícolas passaram a cultivá-la com aspiração ao consumo de luxo e outras, como branco de flor. Está no topo entre as uvas-brancas mais plantadas da Argentina.

2 – TORRONTÉS RIOJANO, 7.920 ha, 22,1%.

Outra uva mestiça do pódio. Também fruto do cruzamento entre Listán Prieto e Moscatel de Alexandria (as duas variedades mais cultivadas na época colonial) é amplamente plantada no país por seu elevado caráter aromático, onde se destacam jasmim, rosas e moscatel em geral. Variedade produtiva, abunda no leste e no norte de Mendoza (3433ha, 44,8%) e La Rioja (2052ha, 26,8%), apesar de os vinhedos mais famosos serem os de Salta (904ha, 11,8%) e em particular os de Cafayate, que compreendem 2/3 desta superfície. O curioso é que não tem nada a ver com a uva Torrontel, da qual provém o seu nome, mas sim é irmã de outras duas mestiças muito similares: Torrontés Sanjuanino (não aromática) e Torrontés Mendocino (moderadamente aromática).

3 – CHARDONNAY, 5863ha, 16,4%.

A mais famosa das brancas, proveniente da Borgonha, na França, finca-pé na Argentina nas regiões de altura. Tanto que Mendoza cobre 4.825 (82,4%) e, destes, 40% estão no Valle de Uco, em terroirs de moderados a frios. Tupungato, a meca da variedade, com 1.164 hectares, está liderando a transformação em estilo para a variedade, tanto em espumantes como em vinhos modestos. É seguida em importância por Luján de Cuyo (561 ha) e Tunuyán (544 ha). Para buscar pequenas regiões em matéria de Chardonnay, o destaque é Neuquén, que contabiliza 137 hectares no norte da Patagônia, em uma zona de moderada a fria, em contraste com San Juan, que alcança os 682 hectares plantados, com a maioria na planície quente.

uvas-brancas mais plantadas na Argentina

4 – MOSCATEL DE ALEXANDRIA, 2.278 ha, 6,4%.

Variedade aromática e tolerante ao calor, não é de se estranhar que San Juan concentre ¾ da superfície, cerca de 1.698 hectares, enquanto La Rioja (13,4%) e Mendoza (10,7%) oferecem frações parecidas. Usada fundamentalmente para elaborar vinhos generosos, nos últimos anos, no entanto, alguns brancos tranquilos que a contém apareceram na gôndola.

5 – SAUVIGNON, 1949 ha, 5,4%.

Em 2002 só havia 865 hectares de Sauvignon Blanc. Hoje, existem pouco mais que o dobro. Plantadas fundamentalmente em Mendoza (1492 ha) e San Juan (226 ha), com Tunuyán como o departamento que mais superfície tem em âmbito nacional (317 ha), seguido por Luján de Cuyo (235 ha) e San Martín (187 ha). O curioso é que se plantaram 600 hectares no Valle de Uco, em climas mais frios, mais interessantes para a Sauvignon, com clones continentais, entre cítricos e tropicais, adaptados a essas condições. Ao colocar os lábios nas taças de branco, a diferença com o passado se nota. E muito.

6 – CHENIN, 1744 ha, 4,9%.

É uma das variedades que mais superfície perdeu nos últimos anos. Com 1.744 hectares plantados hoje, desapareceu a metade da implantação a contar de 2002. A razão é que em outros tempos a Chenin era usada para vinhos tranquilos e espumantes simples e, geralmente, plantada em zonas cálidas. O coração continua sendo San Rafael, com 503 ha, seguido por San Martín com 250, ambos em Mendoza. Não há nenhum departamento ou localidade com números verdes para a Chenin. Atualmente, no entanto, alguns produtores ensaiam estilos novos para vinhas velhas, sendo esse o principal valor da variedade.

7 – TORRONTÉS SANJUANINO, 1.628 ha, 4,5%.

É uma variedade mestiça nascida do cruzamento de Listán Prieto e Moscatel de Alexandria que dá, contra tudo o que se poderia pensar, um branco de aromas neutros. Era usada no passado para a destilação e hoje em dia engrossa os volumes de vinhos comuns. Como seu nome indica, é plantada fundamentalmente em San Juan, onde ocupa 1.421 hectares. Os principais departamentos são Caucete (461 ha), Angaco (257 ha), 25 de Mayo (235 ha) e San Martín (208 ha), todos na região baixa do leste provincial e no rodapé da Sierra de Pie de Palo. É a zona mais quente e produtiva da província, em torno dos 550 e 650 metros acima do nível do mar.

8 – UGNI BLANC, 1.288 ha, 3,6%.

Oriunda da Itália, onde é conhecida como Trebbiano Toscano, a Ugni Blanc é uma cepa cultivada em Cognac e na costa mediterrânea da França porque oferece bom rendimento com madurez açucareira e aromas praticamente neutros. Ideal para destilados, na Argentina é plantada majoritariamente em zonas produtivas, quentes e de bons rendimentos. Mendoza conta com 999 hectares, dos quais 900 estão plantados no leste e no norte. Acrescente-se San Juan, com mais 279 hectares.

9 – VIOGNIER, 723 ha, 2%.

Incorporada ao parque varietal argentino na década de 1990, esta variedade oriunda do Ródano, onde brilha sob o  sol da AOC Condrieu, se adaptou muito bem ao sol inclemente do oeste do país. Tanto, que desde 2002 (ano em que contava com 151 hectares) cresceu até alcançar os 821 em 2013, e diminuir um pouco até chegar aos 723 atuais. Mendoza conta com ⅔ da sua superfície – onde se encontra bem repartida entre os principais departamentos, nenhum alcançando pelo menos 20% do total–, enquanto San Juan cobre quase o resto e mais uma porção de vinhedos no restante das províncias produtivas. Nos últimos anos os produtores vêm apostando por um estilo menos maduro que está em etapa de desenvolvimento.

The most commonly planted white varieties in Argentina

10 – SEMILLÓN, 640 ha, 1,8%.

É outra das espécies brancas em queda livre. Na década de 1960 estava entre as mais plantadas e, atualmente, alcança magros 640 hectares, após ter perdido ⅓ de sua superfície nas últimas duas décadas. Hoje ninguém planta Semillón, o que obriga a trabalhar com vinhas velhas que, na variedade, são parte do segredo de seu equilíbrio. Mendoza cobre 85% de sua superfície, seguida por Río Negro, com apenas 5,6%. Na primeira, Tupungato (165 ha) e Luján de Cuyo (137 ha) contam com a maior superfície em termos departamentais. Mas o fato é que, nos últimos anos, a partir de estilos com certo grau de amadurecimento, os produtores têm conseguido obter vinhos brancos de sonhos com esta variedade.

11 – TORRONTÉS MENDOCINO, 563 ha, 1,6%.

O terceiro Torrontés desta lista é também um mistério: sabe-se que uma parte de sua genética é de Listán Prieto, mas a outra variedade que contribuiu para o seu surgimento é desconhecida. Em todo caso, é uma variedade mestiça equidistante em expressão entre suas duas irmãs: nem muito aromática, nem pouco expressiva, se destaca por seu bom paladar. Está plantada majoritariamente em San Juan (333 ha), o que favorece a confusão de nomes com seus parentes, seguida por Mendoza (152 ha) e Río Negro (76 ha). É raro ver vinhos engarrafados com menção varietal, apesar de já ter existido alguns.

12 – SAUVIGNONASSE, 334 ha, 0,9%.

É originária de Friuli-Venezia Giulia, no Norte da Itália, onde é conhecida pelo nome de Friulano. Na Argentina está  plantada vagamente. Mendoza cobre 97% do vinhedo e, até onde temos conhecimento, nenhum produtor a engarrafa como tal. 


Continue descobrindo mais sobre os vinhos da Argentina: https://blog.winesofargentina.com/pt-pt/as-uvas-tintas-mais-plantadas-da-argentina/

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