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Tannat argentino, o tinto rústico mais elegante

Breaking / Em destaque / Notícias / Notícias1 / Tendências / 29 September, 2020

De: Vinómanos

O Tannat é cultivado na Argentina desde o final do século XIX, quando os imigrantes europeus trouxeram em baús as recordações dos seus gostos. Assim, plantaram no país as variedades dos seus vinhos e impulsionaram uma vitivinicultura de qualidade que começou em Mendoza.

Em Luján de Cuyo, inclusive, um dos vinhedos mais antigos da Argentina, plantado em 1895, marca a presença do Tannat em solo mendocino, junto a algumas seleções prefiloxéricas de Malbec e Tempranillo. E até existem algumas garrafas de um varietal de Tannat de Bodega Norton de 1947 que ainda hoje surpreende com sua vivacidade.

No entanto, durante seus 125 anos de argentinidade, este varietal oriundo do sudoeste francês e atual referência do vinho uruguaio, não conseguiu chamar atenção dos winemakers locais, como o Malbec, o Cabernet Sauvignon ou o Merlot fizeram – algo que nos últimos tempos parece querer mudar.

Tannat argentino

Há cem anos se fala da qualidade do Tannat dos Valles Calchaquíes, em Salta”, explica o francês Thibaut Delmotte, winemaker da Bodega Colomé e criador do Colomé Lote Especial Tannat 2018, vinho que acaba de se consagrar como Best in Show nos Decanter World Wine Awards 2020, o reconhecimento máximo para os vinhos argentinos na última edição do concurso britânico. “Quando Donald Hess adquiriu a bodega, contaram para ele que o grande segredo dos Malbec saltenhos era usar uma porcentagem de Tannat no corte, e em 2001 plantamos dois hectares a 2300 metros de altitude, e mais tarde em outros terrenos, para usá-lo no Colomé Estate Malbec, até que em 2010 lançamos nosso varietal”, diz. “Foi difícil”, admite, complementando: “Mas a uva conseguiu se adaptar e sem dúvidas tem muito potencial nos vinhedos de altitude”.

Delmotte não é o único convencido das oportunidades do Tannat na Argentina. Mas, no momento, só existem 874 hectares distribuídos principalmente entre o noroeste argentino e a região de Cuyo, ainda que algumas plantas de Tannat possam ser encontradas na Patagônia e até nos novos vinhedos de Buenos Aires, próximos ao Atlântico.

O Tannat é cultivado na Argentina desde o final do século XIX

Em geral, os viticultores argentinos insistem que o potencial do Tannat está na sua maturação tardia, que encontra nos terrenos áridos e ensolarados de montanha as condições sanitárias ideais para cumprir seu ciclo. Por isso, produz tintos intensos, de bom paladar, mas com frescor firme. Ao mesmo tempo, reconhecem que não deixa de ser uma cepa selvagem com caráter rústico.

O que esperar de um Tannat argentino

Claramente os bodegueiros dos Valles Calchaquíes são os que mais proveito tiram desses vinhos nos últimos anos, que em Cafayate oferecem um claro perfil de frutas silvestres e especiarias e um paladar firme e caudaloso. Assim são o Laborum de Parcela Río Seco, o Vallisto Extremo, o Quara Single Vineyard, a Série Fincas Notables de El Esteco, o Domingo Molina ou o Coquena, de San Pedro de Yacochuya.

Dos vales afluentes do rio Clachaquí, onde a altitude garante uma maior amplitude térmica, pode-se esperar vinhos mais “frescos, com frutas vermelhas mais evidentes, traços florais e um centro de boca vibrante”, descreve Delmotte. Além do seu varietal, outros vinhos para comprovar suas palavras são o Valle Arriba El Seclanteño de Raúl Dávalos, o Altupalka e até o Viñas del Perchel, elaborado com uvas da Quebrada de Humahuaca, em Jujuy.

Enquanto isso, em Mendoza, o principal destino do Tannat ainda são os vinhos de corte, com algumas deliciosas exceções. “Apesar de ser uma cepa potente e com uma importante estrutura tânica, também oferece uma acidez que nos garante muito frescor no Valle de Uco. Assim nasceu o Punta de Flechas Rosé, 100% Tannat, que virou um sucesso surpreendente”, explica Pablo Richardi, da Flechas de los Andes.

Em Gualtallary, terra de tintos e brancos vibrantes, a Casa Petrini conseguiu se tornar referência dos Tannat mendocinos graças ao seu vinhedo localizado na margem do riacho Villegas, a 1170 metros acima do nível do mar. Lá, a uva consegue uma suculência notável, aveludada e de frescor permanente. Outra curiosidade é o Sobrenatural Tinto da bodega Chakana, um Tannat sem adição de sulfitos e biodinâmico de Agrelo, Luján de Cuyo, que consegue um volume notável no centro de boca sem madeira, ao qual acaba de se somar um Sobrenatural Pet Nat a partir de 70% deste varietal.

Por último, na província de Buenos Aires, na cidade de Balcarce, o Puerta del Abra é um produtor, com vinhedos plantados sobre solos calcários e protegidos pelas serras, que apostou no Tannat, com sucesso, para o seu tinto Insólito, que tem um importante caráter mineral.

Como podemos ver, os vinhedos argentinos são um terreno próspero em inovação e exploração. Longe do conformismo, os winemakers argentinos se mexem buscando novos desafios, que constantemente resultam em vinhos que surpreendem o mundo.

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Vinómanos
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