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O Malbec se serve na mesa

Breaking / Em destaque / Lifestyle / Malbec / Notícias / Notícias1 / 14 April, 2020

De: Fabricio Portelli

As chaves para desfrutar mais do tinto emblemático da Argentina: qual estilo escolher para cada ocasião e com que convém acompanhá-lo, em casa ou em um restaurante, segundo o sommelier Fabricio Portelli.

 

O Malbec vem conquistando paladares desde que desceu dos barcos, na segunda metade do século XIX, junto com os imigrantes e sua sede, seu pão e suas aspirações. Como todo colono, o tempo e as raízes deram lugar a outras aspirações e outra sede, que ao longo do século XX formaram um gosto próprio.

Se a Argentina é um laboratório para a história, o Malbec também é parte disso. Aqui, catalizado por uma sociedade ascendente, nasceram alguns estilos e sabores que dariam ao vinho e ao país um lugar no mapa das taças com abordagem única.

O Malbec é um tinto muito versátil e expressivo em todos os segmentos qualitativos, com texturas amáveis que nunca agridem o paladar, e com carvalho, que é apropriado. Faz sucesso porque é um vinho encantador desde a primeira taça, e todo esse caráter provém da uva em qualquer região do país.

Mas há alguns anos, o Malbec se graduou como vinho top, porque os elaboradores o converteram no melhor veículo para percorrer as paisagens do vinho argentino através das suas taças. E assim revelou camadas de aromas e sabores que falam sobre um lugar específico, seja um distrito, um vinhedo ou um terreno. Se a isso somamos a frescura e as texturas obtidas, a partir destes novos Malbec que falam de lugares, é possível entender a verdadeira dimensão da sua diversidade.

Mas o mais importante de um vinho é como se desenvolve na mesa, porque aí está a chave do seu êxito. E para isso o Malbec deve se amoldar a qualquer situação de consumo e a uma grande variedade de pratos, superando as barreiras culturais da gastronomia.

 

O Malbec na mesa

 

Além de dar vinhos tintos, que representam 70% do consumo mundial, o Malbec pode dar rosados vibrantes, a categoria de maior crescimento. E por mais que costume ser envolvente e também amável quando desfrutado por taça, é na mesa onde deve brilhar mais. Aí aparece a carne, vermelha e assada, como sua grande aliada. Porque não se trata de um prato exótico ou exclusivo de um país, mas sim de uma das comidas mais desfrutadas nos cinco continentes. E este casamento vai além da região ou da cultura; é uma combinação natural. Sem dúvidas, o Malbec é a melhor bebida (sim, mais que a cerveja) para acompanhar o universal hambúrguer, incluindo suas versões mais gourmet.

Além disso, o equilíbrio natural que oferece o converte em um vinho ideal para acompanhar outro tipo de comidas internacionalizadas como massas, arroz e muitos pratos à base de carnes brancas, levando-se em conta que, em muitos casos, os Malbec rosé são mais apropriados; por exemplo, é o que acontece com o cuscuz e a paella.

Por seu caráter frutal e de especiarias, o herbal, de acordo com a zona, também combina muito bem com pratos de sabores intensos como um tajine de frango, o delicioso prato marroquino que também pode ser de grão de bico e de legumes.

Seus taninos podem ser incipientes ou firmes, mas sempre redondos graças à maturação polifenólica que as uvas atingem. E essas texturas constantemente são amáveis, e por isso um tinto é ideal para acompanhar peixes azuis na chapa (os de carne mais consistente como anchova, sardinha, atum ou bonito), somente acompanhados de legumes.

O Malbec também se adapta muito bem a diferentes tipos de cocção. Os suaves são ideais para acompanhar giosas, ou um sukiaky; ensopado de verduras, carne em fatias finas e macarrão grosso de trigo, típicos da cozinha japonesa. Mas quando a suculência e a tensão mandam, é melhor servir o vinho com pratos de texturas mais consistentes como hummus, falafel ou outro tipo de croquete, como os deliciosos quibes da cozinha síria.

Por último, é preciso levar em consideração não só o estilo do produtor, mas a idade do vinho. Um Malbec jovem será solto, agradável e generoso em suas expressões, e vai muito bem com pratos simples e caseiros como mac and cheese, tabule ou umas berinjelas à parmegiana. Já um mais pretencioso e com alguns anos terá maior concentração e equilíbrio na passagem pela boca, e demandará preparações mais elaboradas. Uma boa ideia é reservar os Malbec de dez anos ou mais, com suas texturas sedosas e nuances complexas, para pratos delicados ou um tira gosto depois da refeição, com tábua de queijos que inclua brie, emmental, comté, manchego e um queijo azul.

Ademais, o caráter expressivo e sua característica dócil permite servi-lo mais gelado do que muitos outros tintos, favorecendo sua degustação. E ainda que hoje continue demostrando que tem muito potencial, não há dúvidas de que a qualidade dos Malbec atuais é a melhor da história.


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Fabricio Portelli
Fabricio Portelli
Vivir en un país vitivinícola le permitió a Fabricio Portelli cumplir su sueño: entretener a la gente. Algo que hace junto a un aliado perfecto, el vino. Estudió la carrera de sommelier y se dedica al periodismo del vino desde el año 2000. Escribió en ArgentineWines, JOY y Elgourmet hasta que lanzó sus propias publicaciones, El Conocedor y En Primeur. Organizó ferias de vinos (Vinos de Lujo), estuvo en TV (Dos de Copas junto a Miguel Brascó y El Conocedor TV) y editó guías de vinos (Descorchados). Esto entre muchas otras cosas. Hoy se lo puede leer en fabricioportelli.com, escucharlo en Radio Mitre o repasar sus catas en @portelliapp .




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