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Hallowine: a moda das etiquetas assustadoras para sacar a rolha no Halloween

Breaking / Em destaque / Mercado / Notícias / Tendências / 26 October, 2020

De: Joaquín Hidalgo

Assim como o Halloween diverte e agita fantasmas do além, alguns rótulos de vinho se desenvolvem nos vinhedos e barricas e chegam às portas desse outro mundo, mais sinistro e fascinante, e propõe com certa picardia lendas, fantasmas e relatos truculentos em suas marcas. No fim das contas, as marcas são relatos. E a alma também se alimenta de relatos.

Então neste Halloween, a Argentina oferece algumas etiquetas cuja estética, relato ou proposta são perfeitas para degustar sob a tenebrosa luz das velas.

Jinete sin Cabeza (“Cavaleiro sem Cabeça”) Cabernet Franc.

O conto é universal e em quase todos os povoados do mundo tem um maluco que aguarda e vem reparar uma injustiça: aquela pela qual foi degolado. E se a questão é perder a cabeça, este Franc é fruta pura e deliciosa que surpreende. Abri-lo não será uma injustiça para Pueblo Dormido, seu produtor, cujas etiquetas refletem o ideal que Washington Irvin colocou em A Lenda da Caverna Adormecida (Sleepy Hollow).

Alchimia de Los Andes Red Blend

Inspirada no cinema de terror dos anos 1950, esta etiqueta é ilustrada com um encapuzado sem rosto que esgrime uma taça de tinto em uma noite de lua cheia e com agourentas nuvens negras. Corte de Malbec e Cabernet Franc, só falta que este “intrigante e misterioso Red Blend”, como reza o rótulo, brilhe na escuridão do jantar. O Halloween é a ocasião perfeita para bebê-lo.

Chamán Malbec.

Para os antigos habitantes da Sibéria, o Xamã (que sabe a língua tungu) conectava os mundos com suas visões. O termo se aplica a muitos animistas que viajam, em estado de transe, por diversas dimensões e mundos. Este Malbec elaborado em La Consulta, Mendoza, não gera visões, mas pelo menos incentiva momentos mágicos pela força do seu sabor. Conselho de Xamã: o saca-rolhas é um bom médium para começar.

Sobrenatural Bonarda.

Tudo o que está para além da razão física é considerado sobrenatural. E este Bonarda, elaborado sem sulfitos, parece chegado de outro mundo. É verdade que não é nem sinistro nem macabro. Mas para quem quer vinhos para além dos conhecidos, é uma excelente opção da bodega Chakana (cujo nome se refere à Cruz Inca, que em seus três planos vincula o supra e o inframundo com o cotidiano).

Callejón del Crimen (Beco do Crime) Malbec

Toda cidadezinha do mundo tem sua história de amor truculenta. A origem desta marca provém de um crime passional e sugestivo cometido no beco “que termina na bodega. Foi na década de 1960. Mas se a questão for sangue derramado por amor, um beijo deste Malbec suculento conserta qualquer final patibular.

Big Bat (Grande Morcego) Cabernet Sauvignon

Falar de morcegos gigantes é bastante aterrador neste ano para dar espaço neste rótulo entre os halloweens argentinos. Mas se trata de uma travessura de infância. Rodolfo “Opi” Sadler, enólogo autor, conta que na bodega familiar havia um porão cheio de morcegos. E que seu divertimento era bater na porta e vê-los sair em debandada pela claraboia. Quando nomearam o vinho na Mascota Vineyard, escolheram este mascote particular da infância dele para o Cabernet. 

Catena Zapata Malbec Argentino.

Na etiqueta, é uma alegoria da morte que, na história do Malbec, levou os vinhedos europeus com a filoxera para o outro mundo. No entanto, no Novo Mundo, onde o Malbec se salvou da foice, ele renasce. E como bom expoente desse milagre, o Malbec Argentino oferece uma versão clássica do tinto mais famoso.

Vinyes Ocults Malbec-Cot.

Se as máscaras e os disfarces são parte da graça do Halloween, o Vinyes Ocults não pode faltar: aficionados das máscaras de Catch e das caveiras, este Malbec com maceração carbônica mostra no rótulo um esqueleto ao sol, entre fieiras, observando uma taça de vinho. A perspectiva é todo o efeito truculento da garrafa, apesar do tinto suave e perfumado contar o contrário.

El Veneno de Dios (O Veneno de Deus) Blend

Para os estudiosos das escrituras, Samael é o anjo caído, cuja tradução do hebraico antigo seria “Veneno ou Cegueira de Deus”. Em qualquer interpretação, Samael desceu para a terra para semear discórdia, o conhecimento ou o desdém. Inclusive, para os mais drásticos intérpretes, é quem coloca o veneno da morte nos lábios dos mortais. De qualquer maneira, este corte elaborado pelo enólogo iconoclasta Lucas Niven está mais perto do maná que de um veneno bíblico.

Mas há vários outros Halloweens em nossas prateleiras. Querem mais nomes? Anotem: os eloquentes Callejón de Brujas (Beco das Bruxas) e Buscado Vivo o Muerto (Procurado Vivo ou Morto), os desenfreados Demencial e Desquisiado (Maluco) – este último com um lobo uivante no rótulo – e o fantasma de Coquena que se irrita com pessoas que disparam nas vicunhas nos vales do norte e as persegue.

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Joaquín Hidalgo
Joaquín Hidalgo
Mendocino de nacimiento (1978), se recibió en el Liceo Agrícola como enólogo en la promoción 1996. Al año siguiente, se inscribió en periodismo en la Universidad Nacional de La Plata, de donde egresó en 2002. Desde entonces vive en Buenos Aires donde construyó una lar- ga carrera combinando sus dos pasiones: la escritura y los vinos. Ha trabajado en casi todos los medios que le dieron co- bertura al tema. Desde el Country Herald a la Revista del Club del Vino, en los que escribió sus primeras notas firmadas, a Playboy, Revista JOY y La Mañana de Neu- quén, diario del que sigue siendo columnista dominical desde 2007. Colaboró como catador y cronista para Aus- tral Spectator relevando Chile y Perú en la edición 2005 y luego coeditando la guía entre 2011 y 2012. A contar de 2014 escribe semanalmente para el diario La Nación, donde actualmente tiene una columna llamada Sin Filtrar los días viernes en el puntocom. A principios de septiembre de 2019 fue contratado por la plataforma Vinous para reportar Argentina y Chile. Joaquín Hidalgo Born in Mendoza in 1978, Joaquin received his Certificate in Winemaking from the Liceo Agrícola in 1996. The following year, he took Journalism at the Universidad Nacional de la Plata, graduating in 2002. Since then he has lived in Buenos Aires, where he has built up an extensive career combining his two passions: writing and wine. He has worked for almost every media outlet that covers the area from the Country Herald to the Revista del Club de Vino, where he published his first signed articles, Playboy, Revista JOY, and La Mañana de Neuquen, for whom he has been a columnist since 2007. He has been a taster and correspondent for the Austral Spectator, covering Chile and Peru in 2005 and then co-editing the guide in 2011 and 2012. Since 2014, he has written a weekly column for the La Nación newspaper for whom he also writes a weekly blog called Sin Filtrar on their website. In September 2019, he was hired by the Vinous platform to cover Argentina and Chile.




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