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Argentina vintage report: os anos 2015 a 2019

Infográficos / Notícias / 12 October, 2020

De: Vinómanos

Até 2015, quando o ciclo meteorológico na Argentina mudou, as vindimas costumavam parecer bastante homogêneas. Claro que cada uma tinha suas nuances, apesar dos traços comuns serem maioria. Mas hoje, vendo o que aconteceu, podemos garantir que desde 2015 cada vindima teve sua personalidade. Algumas, inclusive, foram inesquecíveis, enquanto em outros casos todos rezam para que tenham sido irrepetíveis.

Vamos rever então o que aconteceu com as vindimas argentinas de 2015 a 2019.

A desafiante colheita de 2015

Nunca tínhamos escutado falar dos efeitos da mudança climática em Mendoza como em 2015. Um ano que começou quente, com um típico verão mendocino, mas logo ficou chuvoso e fresco, e vários vinhedos de zonas de grande produção viram seu rendimento cair. Ao mesmo tempo, no Valle de Uco o granizo afetou os vinhedos das melhores zonas. 

No entanto, as condições se equilibraram a partir de fevereiro e assim agrônomos e enólogos conseguiram finalizar uma campanha favorável com vinhos de boa qualidade e concentração. Mas os cuidados preventivos nos vinhedos se instalaram como uma prioridade frente ao avanço da corrente do El Niño sobre a região. 

Na província argentina de San Juan, por sua vez, foi uma vindima seca e quente que se iniciou nos últimos dias de dezembro com algumas brancas. Teve bons níveis de produção e uma qualidade impecável.

Mais quente que de costume, nos Valles Calchaquíes, a colheita 2015 foi adiantada em até três semanas em algumas zonas, sem ter a qualidade afetada. 

Na Patagônia, por sua vez, a vindima 2015 progrediu sem sobressaltos, com ótimos resultados tanto na província de Rio Negro como em Neuquén.

A singular e inesquecível colheita de 2016

A vindima de 2016 ficou gravada a fogo nos vinhos e na mente dos bodegueiros argentinos. Tratou-se de um ano atípico, influenciado pela corrente do El Niño, que gerou 27% de redução e, assim como a colheita de 1998, demostrou que na Argentina as vindimas com El Niño são muito singulares. 

Tudo começou com uma primavera fria em 2015, com uma brotação tardia e uma rebentação desigual. Era um cenário para o qual todos estavam preparados até que os efeitos do El Niño se tornaram mais severos do que o esperado. O dado mais eloquente foram as precipitações, que multiplicaram por quatro as estatísticas históricas. 

Em Mendoza, um verão chuvoso, frio e nublado exigiu um trabalho muito intenso nos vinhedos para garantir a saúde das vides e racimos. Mas a maturação fenólica foi concluída antes da açucarina, o que desafiou muitos produtores. “Vivemos uma situação típica de Bordéus, mas em Cuyo”, explicou o winemaker Alejandro Cánovas. 

Diante disso, muitos produtores adiantaram seus planos de vindima, principalmente os que contavam com infraestrutura para isso, o que explica que os tintos 2016 sejam, em geral, mais frescos e menos alcoólicos que o de costume para Mendoza, enquanto os brancos se beneficiaram de uma tensão inesquecível. 

2017, o ano em que a normalidade voltou

Depois de uma colheita magra em 2016, a de 2017 começou com alguns inconvenientes climáticos que por sorte puderam se superar e assim conseguir 20% a mais de uva. Felizmente, em todo o país se conseguiu uma vindima muito boa.

Em Mendoza, com 2017 voltou o clima tradicional, apesar das geadas de outubro demorarem a rebentação e um dezembro fresco retardar a maturação. Isto gerou que nos racimos algumas uvas ficassem mais avançadas que outras. Mas o verão chegou com dias quentes por cima da média histórica que aproximaram os processos. Inclusive, uma onda de calor em janeiro adiantou cepas como o Pinot Noir até a volta dos dias frescos levar as coisas à normalidade.

Apesar destes processos e questões, foram obtidos frutos de excelente qualidade que deram vida a tintos intensos, profundos e com boa carga tânica. 

Em San Juan, segunda província em extensão de vinhedos, a vindima 2017 foi antecipada, com vinhos mais frescos e menos alcoólicos. Nos Valles Calchaquíes, foi um ano de precipitações reduzidas, 150 mm em toda a temporada, e temperaturas moderadas. A colheita começou mais cedo que outros anos com rendimentos altos e grandes resultados em Malbec, Tannat e Torrontés. 

Enquanto isso, na Patagônia foi um ano de vinhos elegantes apesar das condições climáticas irregulares, com geadas que afetaram até 40% do rendimento, ventos intensos durante a floração e um verão quente que adiantou a vindima. 

2018, um ano clássico

A campanha 2018 foi fantástica para a vitivinicultura argentina. Mais ainda se contrastada com as duas anteriores. 

Em Mendoza seria definido como um “típico ano mendocino”, já que em 2017 o inverno foi muito frio e a primavera foi seca, mas fresca, o que atrasou a brotação, acumulando uns 15 dias de demora ao longo de todo o ciclo. 

Apesar de algumas regiões do Valle de Uco e Luján de Cuyo sentirem a intensidade das geadas de outubro, nada afetou os rendimentos e muito menos a qualidade. 

Janeiro e fevereiro apresentaram temperaturas médias dentro das médias históricas, com precipitações menores que o habitual e isto definiu uma evolução favorável para a vindima, que se aproximou dos níveis históricos de produção.

Para Rogelio Rabino, winemaker da Kaiken, “a campanha 2018 se destacou pela grossura do bagaço da uva como resultado de uma maior amplitude térmica, que permitiu elaborar vinhos de boa coloração e acidez. Os brancos foram excepcionais, com uma grande concentração de aromas primários”.

Em Salta, Catamarca, Tucumán e Jujuy foi uma vindima fresca em relação à média e com um início de colheita chuvoso. Foi um ano de tintos para uma vindima que finalizou antes do previsto, com um menor grau alcoólico nos vinhedos calchaquíes. Na Patagônia, hoje lembram de 2018 como um ano bom, mas curioso. As temperaturas médias estiveram mais altas que o padrão, de forma que a colheita começou e terminou antes do habitual.

O inesquecível ano de 2019

Depois de uma série de vindimas complexas e desafiantes, finalmente 2019 foi excepcional em todo o país. A chave foi um clima moderado que derivou em uma vindima mais longa e com parâmetros tradicionais para brancos e tintos.

Um traço importante foi que a evolução climática foi similar dos Valles Calchaquíes até a Patagônia, e ainda hoje todos lembram da perfeita maturação das uvas.

Depois de um inverno 2018 frio e de uma primavera úmida e fresca, 2019 começou com um verão seco de temperaturas moderadas e mais dias quentes que o comum. Por isto a maturação das uvas teve que ser esperada até os últimos dias de janeiro, quando as temperaturas altas ficaram estáveis. Em fevereiro voltou o clima moderado e em março tudo voltou ao ritmo normal. 

Sebastián Zuccardi, diretor de enologia da Zuccardi Valle de Uco, destacou sobre 2019: “Foi uma vindima excepcional com uma temporada fresca e seca, das melhores colheitas que tive a oportunidade de fazer. Apesar de se tratar de um ano de alta luminosidade, foi uma colheita fresca, parecida com a de 2016 pelo ritmo lento de maturação”. 

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